








A obra que deu a Lote Vilma o prêmio de melhor trabalho original para crianças e jovens no Annual Latvian Literary Award, em 2021, traz uma torre de água como a metáfora para representar o mundo interior da protagonista. Assim, abrir este livro é como abrir a porta para o universo íntimo de uma menina que compartilha conosco seus pensamentos, anseios, sonhos, medos e dúvidas. Se ela vive cercada por uma cidade cinzenta e sem graça, por dentro, o que não faltam são detalhes ricos sobre sua personalidade e a maneira como enxerga o mundo.
O texto, narrado em primeira pessoa, possui capítulos brevíssimos e, ao mesmo tempo profundos, poéticos ou enigmáticos, sugerindo as entradas de um diário pessoal onde registramos reflexões, listas, poemas, de maneira bastante livre. Não deixe de observar as ilustrações que muitas vezes dialogam com o que acabou de ser dito e que, em outros momentos, parecem soltas e desconexas. No entanto, elas são como pistas do que se passa na mente e no coração da menina.
A torre de água é o lugar capaz de abrigá-la nos momentos e desafiadores, tanto quanto oferecer privacidade quando a menina precisa apenas pensar e processar os acontecimentos, enfim, a torre é um lembrete de que todos nós temos nosso próprio infinito particular — inclusive as crianças.
