







Com leveza, bom humor e uma pitada de crítica ácida, a narrativa de Davide Calí e Pastorino mostra como uma série surpreendente de objetos começaram a chegar a uma pequena ilha muito distante, através do mar. A princípio, foi apenas uma lata de molho à bolonhesa que, embora ninguém soubesse o que era, rapidamente adquiriu o valor de um tesouro encontrado ao deus-dará.
No dia seguinte, mais coisas chegaram: outras latas de molho, um tubo de batatas Chips, latinhas de Cocaplus e muito mais... Esse lixo de embalagens descartáveis foi, aos poucos, transformando a paisagem da ilha. Primeiro surgiram os colecionadores, depois aqueles que criavam objetos de decoração, joias e até mesmo peças de arte. No entanto, o que era presente se transformou em transtorno. Como os habitantes da pequena ilha vão lidar com isso?
Com poucas palavras, a história ergue uma metáfora muito inteligente para as consequências do consumismo, do desperdício e do descarte inconsequente de materiais como lixo e resíduos. Afinal, tudo o que aparece nas praias da ilha está vindo de algum lugar e, se você reparar bem nas ilustrações, as embalagens estão vazias, ou seja, os produtos já foram consumidos.
E, por falar em ilustrações, as vibrantes imagens de Giulia Pastorino são coloridas e carregadas de informações que complementam o texto verbal do livro. Observe com atenção as páginas: é bem capaz de você reconhecer alguns itens semelhantes aos que estão, aí mesmo, na sua casa.

