








Essa é uma história de amores — assim mesmo, no plural. Tudo se inicia com o romance mágico entre uma mulher e um baiacu cantor, que fez nascer uma linda sereia chamada Janaína. Há o amor de mãe pelos filhos, o amor que liberta e o amor que precisa lutar pela liberdade. Há ainda o amor amigo, daqueles que une os seres mais diferentes para cuidarem uns dos outros, enfrentar os perigos e vencer desafios e distâncias.
Em torno da aventura para salvar dois elefantes africanos da exploração humana, esta obra sensível e emocionante fala também sobre os recomeços perante a vida. Muitas histórias vão se mesclando em uma narrativa de tirar o fôlego, do tipo que nos leva a ler a obra inteira de uma só vez. Kuami e Janaína encontram-se em meia as águas de um igapó. A sereia igualmente trazia consigo uma tristeza do passado. Apenas o amor fraternal, mobilizará a ambos e todos aqueles que encontrarão em marcha pelo caminho.
Enquanto aprendemos sobre companheirismo e coragem, somos convocados a refletir sobre a exploração irresponsável de recursos naturais, o trabalho escravo nos tempos atuais, os riscos a que estão submetidos os povos indígenas e muito mais, lembrando versos e estrofes de sambas e antigas canções que costumavam tocar no rádio. Uma das marcas da escrita de Cidinha da Silva, importante voz no movimento negro, é a mistura de repertórios diversos, ora trazendo elementos eruditos, ora populares, ao modo do Modernismo brasileiro, numa riqueza de nossas referências culturais.

