









Esta é a história de Lizzie e de seu pai, Jackie. A mãe da menina morrera e, desde então, seu pai acredita ser um pássaro. Isso mesmo, não há outra maneira de dizer. Ele anda por aí batendo as asas, correndo atrás de moscas e até mesmo comendo minhocas. A menina tenta manter a casa em ordem e o pai “funcionando”: tira o homem da cama todas as manhãs, arruma seus cabelos, faz com que se alimente e, ainda por cima, continua indo à escola o que, ainda bem, ela ama fazer.
A narrativa escrita por David Almond — autor ganhador do Prêmio Hans Christian Andersen em 2010 — não se propõe a falar abertamente sobre luto ou adentrar a carga emocional de cada personagem. Aqui, são as sutilezas que nos mostram a profundidade da história e do tema em meio às ilustrações leves e divertidas de Polly Dunbar. Deste modo, é impossível não se comover com a presença desse pai que tenta dar sentido para a nova realidade, disposto a se atirar rumo a um futuro incerto com asas fabricadas. A filha embarca nesta fantasia para estar e permanecer ao seu lado.
Talvez, alguns de nós se reconheçam no pai, outros na menina; quem sabe, até em ambos… Um livro para refletir sobre as dores que a vida por vezes nos traz e as oportunidades que nos oferece de recomeçar.

