








Mara é uma elefanta retirada do convívio de sua mãe, ainda filhote, vendida para um circo no Uruguai e depois para outro na Argentina, entre os quais passou quase quarenta anos uma vida cativa. Anos de um adestramento cruel, uma rotina triste e solitária.
Depois, Mara foi para um zoológico — menos mal, diriam, não era mais um lugar tão apertado, teria até um pouco de terra no chão. Mas permanecia tudo tão solitário e restrito que ela desenvolveu uma espécie de mania nervosa que fazia com que repetisse movimentos de tromba e patas, o que lhe rendeu o apelido de “a elefanta que dança”.
Quando a lei mudou novamente e o zoológico se transformou em ecoparque, decidiu-se que Mara seria transferida para o Brasil. Aí, o que parecia ser o fim da história, tornou-se o início de uma nova jornada rumo, enfim, a uma vida cuidada com respeito, na natureza e com sua manada de elefantes.
Espécie de reportagem narrada pela perspectiva afetiva, a obra de Marina Arbolave é sensível e emocionante, nos convidando a questionar as relações entre humanos e animais — em especial, o lugar de superioridade em que, equivocadamente, nos colocamos.
