









Um menino acompanha seu irmão ao lago que costumavam frequentar com o pai. O caminho não é desconhecido, mas provoca medo mesmo assim. Seguindo as orientações do mais velho, imitando cada um de seus movimentos, o menino encara a subida, chega até o topo, tira a camiseta e se alonga mas, na hora de ir até a beirada e pular na água, ele para. Tudo parece igual mas, ainda assim, é diferente. O que mudou? Pra onde foi sua confiança?
À medida que a narrativa avança, percebemos que esse mergulho é mais do que uma simples queda n’água: é também uma travessia simbólica, um contato direto com sentimentos difíceis e talvez ainda pouco elaborados.
A obra escrita e ilustrada por Angie Kang fala diretamente com todos aqueles que já tiveram que se despedir de alguém muito amado e não sabem muito bem como fazê-lo (alguém sabe?). A delicadeza das palavras, em perfeita harmonia com os traços e cores dos desenhos, nos transporta para um dia quente de verão em que a tristeza pegajosa se espalha pelo corpo para, enfim, ser aplacada por um mergulho refrescante em um lago repleto de lembranças, gratidão e saudade.
Trata-se de um livro sensível e muito emocionante, que pode ajudar a conversar sobre ausências, o luto e a perenidade do amor.
