








Não havia nada além da escuridão, Nhanderú Tenondé e Nhande Xy Ete surgiram. Sem sol para iluminar, eles caminhavam se guiando apenas pela luz do próprio coração. Nhanderú Tenondé, o pai verdadeiro, criou a linguagem, na qual está contida a alma, e depois criou aqueles que cuidariam da alma do nosso povo: quatro divindades sem umbigo, nascidas de maneira inexplicável, e acompanhadas por um ser feminino parceiro, assim como Nhande Xy Ete acompanhava Tenondé.
Depois surgiriam Nhamandú Ru Hete, o sol, Tupã Ru Hete, a divindade das águas, das chuvas e dos trovões, Karaí Ru Hete, a divindade da chama e do fogo solar, e Jakairá Ru Hete, que é a bruma, a neblina e a fumaça do cachimbo que inspiram as lideranças espirituais. E depois? Foram criados os seres humanos.
Com ilustrações de Patrícia Ferreira Pará Yxapi e Sophia Pinheiro em cores luminescentes, em fundo preto, este livro traz a narrativa mbyá-guarani contada por três pessoas da mesma família — Ariel Ortega Kuaray Poty, Leandro Kuaray Mimbi e Patrícia Ferreira Pará Yxapy — que vivem na aldeia Ko’enju, no Rio Grande do Sul. Do mesmo que o texto é apresentado em duas línguas, também as imagens a quatro mãos retratam a natureza e as divindades nas formas típicas dos povos originários.
Uma obra preciosa para apresentar às crianças a verdadeira variedade de nossas raízes, sem esquecermos que o Brasil não foi “descoberto” pelos portugueses, mas invadido, violado e transformado, silenciando as vozes daqueles que aqui já habitavam.



