







A verbena e o beija-flor se encontravam todos os dias. Você sabe o que é uma verbena? É uma planta delicada que dá flores miúdas e forma uma espécie de buquê todo violeta. Já o beija-flor dispensa apresentações, mas podemos dizer que é um pássaro delicado também, porém bastante ágil. Na história criada por Fran Pintadera, a verbena mora em um canto do jardim e o beija-flor voa por aí. Entre idas e vindas, ele sempre visita a planta para contar o que viu de novo.
E é justamente nessas conversas que ambos descobrem o mundo. Primeiro, pelos olhos um do outro e, depois, um pouco mais sobre si mesmos. A verbena diz que vê todos os dias a mesma coisa: a cerca branca, o campo verde e o céu azul. Já o beija-flor vê muitas coisas diferentes: crianças, uma piscina, um mímico, uma fonte e, claro, flores de todos os tipos.
O que a ave não esperava era que, mesmo sem voar por aí, a verbena também era capaz de experimentar o mundo. Além disso, ele descobre que, mesmo no canto do jardim, sob a perspectiva de uma suposta monotonia, havia muito a ser apreciado. Basta saber ver.
Além de desfrutar das potentes ilustrações de Ana Sender, que nos transportam para o mundo dos personagens, não deixe de ler o posfácio do livro sobre a dinâmica entre a quietude e o movimento, o ser e o fazer, o fazer e o não fazer, e de que maneira tudo isso se equilibra em cada um de nós.

